quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Deixe chover, se deixe viver

Você tem medo da chuva?

Ou de se molhar?

Porque se molhar faz parte da chuva,

Mas ela é muito mais do que a água que cai do céu.

Ela é a intensidade em dia de temporal

Ela é a calmaria de uma chuva fina em dia de inverno.

Ela pode chegar devagar, como se o dia esperasse por ela

Porém também pode chegar de forma intensa, como em um dia quente de verão.


Há quem goste de tomar banho de chuva,

Quando é verão,

Quando faz calor.

Mas poucos a querem por inteiro

Com todas as suas fases

Em todas as estações,

Nos estágios tranquilos e previsíveis,

Mas também em dias de raios e trovões.


Sabrina 


sábado, 27 de setembro de 2025

O que faz sua alma sorrir ?

Quando você se depara com a sua nudez do avesso,  você gosta do que vê? 

Despido do papel social que exerce, 

Despido de bens materiais, 

Despido das companhias,

Sozinho consigo mesmo diante do espelho. 

O que você vê? 


O corpo é matéria, 

O corpo é perecível,

O corpo tem data de validade.


Mas e a sua alma?

O que ela carrega?

Tem cor ou é opaca?


O que ela carregará daqui até a eternidade?

Que histórias suas cicatrizes contam?

E que desenhos ela possuí?

Exala vida ou destruição? 


Os trajes, o sorriso e o olhar te escondem

Mas a sua alma te revela.


27 de setembro de 2025.



sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Arquivo pessoal, sem data.

 Ele me disse em um murmulho gritante:

"Faça mais poesia de amor".

E então escrevi na parede da nossa sala aquela canção que embalava nossos beijos e abraços.

Pintei nos pilares da varanda os latidos e lambidas matinais: perfume de Amo(ra).

Pus me a dormir embaraçada nas listras dos nossos pijamas.

Arquivo pessoal, outubro de 2014.

 Sentia fome

O coração se contorcia

As pupilas se dilatavam

Os poros se excitava.


Um calafrio com cor, cheiro e nome percorria a epiderme,

E cada vez mais a  fome aumentava.


O coração mudava de coloração, 

pálido, sedento por toque,

por presença,

por amor.


29 de outubro de 2014.



As crianças embarcadas como passageiros

 Hoje a ferroviária amanheceu silenciosa

Os murmulhos de partidas e chegadas não ecoaram nas paredes da minha casa.

Eu mudei as xícaras de lugar troquei as cortinas da sala e não ouvi o trem deslizando no meu quintal. 


Arquivo pessoal, sem data.