sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Arquivo pessoal, sem data.

 Ele me disse em um murmulho gritante:

"Faça mais poesia de amor".

E então escrevi na parede da nossa sala aquela canção que embalava nossos beijos e abraços.

Pintei nos pilares da varanda os latidos e lambidas matinais: perfume de Amo(ra).

Pus me a dormir embaraçada nas listras dos nossos pijamas.

Arquivo pessoal, outubro de 2014.

 Sentia fome

O coração se contorcia

As pupilas se dilatavam

Os poros se excitava.


Um calafrio com cor, cheiro e nome percorria a epiderme,

E cada vez mais a  fome aumentava.


O coração mudava de coloração, 

pálido, sedento por toque,

por presença,

por amor.


29 de outubro de 2014.



As crianças embarcadas como passageiros

 Hoje a ferroviária amanheceu silenciosa

Os murmulhos de partidas e chegadas não ecoaram nas paredes da minha casa.

Eu mudei as xícaras de lugar troquei as cortinas da sala e não ouvi o trem deslizando no meu quintal. 


Arquivo pessoal, sem data.

Arquivo pessoal, agosto de 2014

 O rosto colado no vidro da janela

Cortina escancarada,

Na mesa doces e pães

O bule apita

Sorrisos ocupam a mesa 

O rosto contraía-se do lado de fora

A epiderme tenta adentrar a cozinha.

As partículas penetram as linhas faciais

Que contorcem e distorcem 

Gemidos ecoam  nas paredes.

A sua existência se desfaz

feito pó.


30 de agosto de 2014.

A vida como um linha fina: puxam, esticam, destendem.

 Arquivo pessoal, 2015.

Arquivo pessoal, fevereiro de 2015

 E então, de repente o ar tornou se rarefeito

Como se uma onda de calor tomasse conta de mim.

Pude sentir seu corpo rente ao meu

Como paredes grudadas onde a chuva escorre, deslizando sobre os breus dos tijolos

labirintos sacanas como o emaranhado do seu cabelo.


03/02/2015